19.05.08


CHEGUEI À OFICINA LITERÁRA COM O CORAÇÃO NUMA MÃO e a Arte da Guerra na outra. Uma edição de bolso muito mazinha, em substituição do recomendado A Cabra Vadia, de Nelson Rodrigues, esgotado em todas as livrarias do Rio. Gostava imenso daquele didatismo do Sun Tzu diz.
Tinha concorrido às vinte vagas com duas crónicas que fui buscar ao A bibliotecária que gosta de pinga, único lugar onde apreciava exercitar o meu cérebro para uma média diária de sete leitores. De uma das crónicas gostava mais ou menos. Chamava-se Irmãos e era uma graçola sobre o que os brasileiros achavam dos portugueses, mais ou menos nestes termos:
O que os brasileiros queriam que nós continuássemos a ser para gostarem de nós: Todos deveríamos continuar a ser padeiros, (quando muito donos de padarias); as mulheres deveriam dedicar-se a deixar crescer o bigode e a jamais tirar os pelos das pernas; deveríamos amar nosso passado escravocrata, madeireiro e comerciante. E, acima de tudo, não gostar de dizer que “descobrimos o Brasil”. Nunca, mas nunca, deveríamos apreciar um bom banho. Os homens lusitanos deveriam bater em todas as mulheres que ousassem sair da cozinha. E os nossos nomes próprios reduzir-se-iam a Manuel ou Joaquim ou Maria. Todos nomes que chamaria à minha futura prole, mas eu não conto, sou portuga. Deveríamos ficar anos sem ir “à terrinha” porque sim e porque “ir à Europa” é “chiqui” e o sonho de consumo de qualquer brasileiro. Aliás, Portugal nem é na Europa, né?
E ia até ao fim neste tom. Apesar dos exercícios, as minhas crónicas pareciam-me sempre canções do Roberto Leal, bem ritmadas, mas de uma simplicidade constrangedora.


por Mónica Marques às 17:46

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