28.03.08
Eram umas quatro da manhã quando os três acordaram o porteiro da noite, que dormia no sofá da entrada descalço, como sempre. Boa noite Josué. Boa noite doutor, tudo tranqüilo? Tranquilíssimo Josué. Vamos, vamos subindo lindas. Aninha já segredando obscenidades ao ouvido de Marta. Mulher gostosa, dengosa, vou-lhe lamber toda. E lambia, graças à tal da língua, a São Jorge, a Nossa Senhora de Aparecida e a São Sebastião. Se bem que este último em nada ajudasse, apenas refletido nos espelhos do elevador que nem alma penada como na cabeça doentia de Marta, Coitado o que ele ia gostar de aqui estar... Mas era Miguel que abria a porta de casa para entrarem, as duas à frente já aos beijos de língua, distraídas dele. Marta descalçando as sandálias de salto para não acordar as crianças, muito menos a bábá, Aninha desatando os laços da camisa de frente única dela, enquanto lhe comia os ombros e as costas e os braços e tentavam caminhar aos encontrões e aos risos, pelo corredor estreito, até ao quarto.
E enquanto se atirava para cima da cama, com Aninha na frente dela e ou por cima dela e Miguel sabe-se lá onde, já só tinha as calças vestidas e no pescoço cinco colares sobrepostos, de sementes de açaí, que adorava usar e enlaçar nas pilas de Sebastião e Miguel.
Logo depois, para nossa infelicidade e felicidade dela, deve ter parado de pensar. E é também por isso que ficamos por aqui.


por Mónica Marques às 19:17

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