22.03.06
O INTERFONE TOCOU E AVISARAM QUE O TÁXI já estava à espera. Desceu no social, rodeada de todos aqueles espelhos que sempre a deixavam desconfortável. Encontrou mais três rugas à volta da boca. Demasiados espelhos, demasiada iluminação para aquela hora do dia, para qualquer hora do dia, convenhamos. Lembrou as palavras incisivas do amigo, «tens imenso medo de envelhecer», e pareceu-lhe que não. Que até aqui o caminho tinha sido sem precalços e que por isso não haveria muito a temer.
Deu graças a Deus pela temperatura quase glacial que encontrou dentro do táxi e esperou que o taxista olhasse para trás interrogativo: «Pra onde madame?», displicentemente respondeu cheia dela mesma, «Pra Botafogo. Rua Madalena 65».
O pai, ainda sob o efeito de Dormonid, ansiava por um Ipod num quarto da Clínica Ivo Pitanguy.
Certas merdas são genéticas, como esta de não passar sem boa música...


por Mónica Marques às 15:14

3 comentários:
De francisco carvalho a 23.03.06 às 09:51
Gostei muito.


De Eskimo a 23.03.06 às 17:44
Eu também...


De xavinha a 2.04.06 às 18:10
gostei muito da forma como escreve, tão solta, tão leve...Um abraço


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