25.09.08

NÃO FAZIA A MÍNIMA – naquela altura já era um produtor com nome feito no mercado – do porquê daquela fantasia exótica de organizar um evento em que o objetivo era colocar um bando de anormais a ler Machado de Assis, em voz alta, por oito horas seguidas.

A rotina, ou talvez a falta de uma razão para viver. Só podia. Estava assim, desde que Duda o atirara para escanteio, como ela, tão linda, lhe dizia sem dó nem piedade, ao som de todos os cd´s de Martnália, que ele comprara para lhe agradar.

As noites tinham ficado sem graça. E os dias, rodeado de mulheres portuguesas, sem cintura, tornavam-no um homem ressentido. Queria a paixão. Mesmo que ela lhe tivesse mentido com todos os dentes branqueados, que tinha trazido na boca, da última viagem ao Rio. Tão linda, tão linda, tão linda outra vez. Estava cego na luz dos seus dentes e pedia-lhe, nesses tempos sem vergonha, Sorri para mim, Duda, vá lá. E depois acabavam a rir muito daquela estupidez. E era esta a Maria Eduarda de todos os poderes e mais os daquele seu santo, que o deixava totalmente desnorteado. A ponto de organizar maratonas literárias, usando o nome do mulato carioca como pretexto, só para ver se ela aparecia, talvez com saudades do tempo de escola em que, obrigada pelo excelso ministério da educação, aprendera a dizer adeus a todos os seus namorados com olhos de ressaca.



por Mónica Marques às 08:04

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