5.05.08
Há coisas que eu ainda gosto muito em Portugal. Mas realmente as coisas de que eu mais gosto, são as que a maioria dos portugueses que (ainda) conseguem, gostam de viver em Portugal, despreza. Assim logo de caras o que eu gosto é de frequentar supermercados, muito melhores que os daqui, adoro os grandes corredores e as prateleiras de detergentes a perder de vista. Adoro os detergentes para a roupa, os shampoos, a quantidade de pastas de dentes. Sou capaz de ficar três horas, com gosto, e em estudos minuciosos no supermercado do Colombo. Acho incrível a qualidade da oferta nessas grandes superfícies. Não sei. Adoro aquilo. Mas, por exemplo, odeio a restauração. Acho todos os restaurantes sofríveis e apesar disso armados ao pingarelho [Lisboa]. Tenho sempre a sensação de que não são eles que se sentem orgulhosos com a presença dos comensais. Mas os comensais que se devem sentir felizes, fazer o pino ou assim por os poder frequentar. Ora, para mim, há algo de profundamente errado nisso. Principalmente quando a comida deixa muito a desejar e o serviço é a doença mental que se sabe.
Por exemplo, os empregados sindicalistas do Pap`Açorda ainda continuam a querer bater nos que se atrevem a passar pelo gordo da caixa registradora, enervados porque o simples mortal conseguiu resistir à inspecção de Deus, mas não sabia, coitado, que era da praxe ajudar a tirar a mousse de chocolate da colher dos (t)rabalhadores para o prato?
(Vou-me embora que estou a ficar sentimental.)


por Mónica Marques às 15:01

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