10.10.07
Fugindo ao padrão habitual, ouvi José Afonso enquanto esfregava, metodicamente, todas as portas da minha casa. Denotei um empenho desnecessário no uso dos mais variados detergentes. Mas gostei. Do empenho, claro.
Enquanto o redondo vocábulo ia acabando comigo e eu deixava, a vizinha chique, mas um tudo nada louca, apareceu-me à porta, ainda de bobs e de robe de seda; prédio na quadra do Leblon e tal, eu também já tentei usar um, brrrrrrrrrgh.
Com certeza estranhando o padrão musical, quis saber se estava tudo bem e coiso e tal e as crianças e que agora era a síndica e que é uma chatice ser a síndica, mentira porque eu sei que todo o brasileiro adora ser o síndico. E por fim, informou-me que ontem tinha acabado de conhecer, num evento social da mais fina estampa, o Joe.
O Joe? Respondi, com a voz do José Afonso ainda remoendo o meu frágil bem estar.
Sim, e olha, ele fala de um jeito ainda mais enrolado que o seu. Engraçadinho ele. Leu o discurso todo numa língua...
Numa língua, o Berardo?
Sim, tá investindo muito aqui no Rio. Enroladinho, não?
Despedimo-nos risonhas e cumplices. Importante arranjar cumplicidades entre os vizinhos e
voltei à lida. Mas antes, fiz um party shuffle, no Ipod.
José Afonso não combina com lavagem de portas. José Afonso não combina com Berardo. José Afonso não combina com o Rio. José Afonso combinava comigo, há muitos anos atrás e talvez combinasse com a Madame dos bobs, caso ela entrasse num elevador de serviço.


por Mónica Marques às 11:43

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