13.05.08
(blahh, blahhhh, blahhh, blahhh, blahhhh e agora passamos directos ao que interessa)

Meu Deus, como é preciso gostar de livros para ainda se rumar ao Parque Eduardo VII e ver escritores e editores sentados naquelas deprimentes bamboleantes cadeiras de plástico branco, autografando livros. Livros mal "entrouchados", em bancas miseráveis e em que o único frisson é saber, Qual é o livro do dia? E o que é que interessa, hoje, essa coisa com laivos socializantes, do Livro do Dia? O PREC já passou, senhores. A Fnac presenteia-nos, todos os dias, com Livros do Dia, sem termos que abancar em cafés manhosos, tomando jolas manhosas e degustando coiratos (é assim?). E extrapolando, sem termos sequer que estar ao ar livre, que somos neuróticos. Há por aí algum leitor de relva?

A Feira do Livro não poderá mudar? Ser uma FLIP? Se acham que viajo, parem já aqui. Mas, a Feira do Livro que eu imagino para Lisboa e que tenho a certeza resultaria muito mais do que o mero mercado mal amanhado de livros que isso é agora, é uma coisa parecida com o que acontece anualmente em Paraty. Onde os tarados por livros e os adoradores de escritores vão. Onde também vão pessoas normais para ver, ouvir e falar com os autores e sentirem que também fazem um bocado parte daquilo, mesmo que não. E pasme-se, onde os escritores, esses seres dificílimos, se pelam por estar.

Porque, qual é a diferença entre a actual Feira do Livro de Lisboa e a secção de livros do hiper do Colombo? Ter a Lídia Jorge, mal sentada, na reles cadeira de plástico, coitada, assinando livros atrás de livros e bebendo água naqueles copinhos descartáveis? E escritor que se preze bebe água? E alguém quer ver um escritor bebendo água? Eu não. Eu cá, se apanhasse um dia a Lídia Jorge, gostava era de a ver com um bom copo de vinho e de lhe poder perguntar, as duas bem sentadas numa sala acolhedora, de onde lhe vem a inspiração para, por exemplo, as cenas de sexo nas suas obras.
E aqui residirá a mais valia, o grande barato destas coisas de livros: uma leve sensação de intimidade entre os que escrevem e os que lêem.
Tudo o resto que temos a fazer com livros e escritores que é comprar, podemos fazer hoje nas livrarias e nos supermercados, todo o ano e a todas as horas do dia. Não precisamos da Feira do Livro.
A Leya sabe disso. Só não teve tomates, parece.
(Não queria nada escrever sobre isto, mas amigos pedem-me que largue um bocado aquela mama das bocetas. Que escreva sobre flores, os morros, os brasileiros - o que quer que isso seja. Incentivaram-me, mimaram-me, disseram-me que eu ainda era capaz. Pronto. Acho que consegui que só falo em sexo de uma forma contextualizada, eu diria mesmo, literária, que falo do sexo em Lídia Jorge. )


por Mónica Marques às 11:28

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