29.03.09

Acordei cedo. Não tão cedo como no Rio, porque nenhum barulho me chega da rua, que a casa é nova e tem vidros duplos. Gosto muito dos vidros duplos às vezes, outras não. Hoje foi assim-assim.

Como estou sozinha, virei-me para o lado e pensei em ler o ípsilon que me parece, de longe, a leitura mais interessante na cidade. Mas depois lembrei-me que o jornal estava, desde sexta feira, no banco de trás do carro. Fiquei chateada que gosto de acordar logo a ler qualquer coisa.

Nas vezes em que não há nada em cima do criado mudo, recorro às bulas dos remédios. Nunca disse aquela coisa, ai vou reler tal livro,  (até porque nunca tenho cu. quando terminará esta linguagem, também não sei) mas já reli e treli muitas, muitas bulas. Algumas mulheres incham e têm neuroses e basicamente são as bulas dos remédios que curam essas maleitas.

 

Mas, entretanto vi,  mal porque ainda estava sem lentes, que num acesso de bom gosto tinha comprado, na Fnac,  Portraits and Observations The Essays of Truman Capote, por causa da capa. Infelizmente não me motivei, muito cedo para ler as letras pequeninas da edição da Modern Library.

 

Nisto já tinham passado alguns minutos e temi voltar a passar o dia deitada, a pensar em merda e a passar manteiga emoliente nos pés, por causa dos sapatos assassinos que usei na noite de sexta feira e se mostraram totalmente desadequados para descer a Calçada do Combro e a Rua da Bica. Ando esquecida do que é Lisboa. O amor também é assim, uma bruma. Basta um tempinho que logo se deixam de ver os fantasmas que nos acordavam de noite.

 

Enfim, levantei-me. Bebi da garrafa do Luso que estava no chão e tomei um duche rápido com a idéia de  logo depois, nas partes previamente limpas, colocar as Parches Reductores Anticelulíticos  UNISEX do Dia, que minha mãe, sei lá porquê, me trouxe de presente na quinta feira, mas como tocou o telefone e eu tive que ir até à sala e a minha sala ainda não tem cortinas, enfiei-me dentro das calças, outra vez  sem os patchs que reducen la grasa localizada y el volumen corporal.

Algo que também não me parece que vá acontecer, se continuar a comer bolachas recheadas de chocolate a um ritmo que nem eu aguento. Deixem, depois vomito.

 

O meu signo diz que este mês é para esquecer, mas minha Mãe de Santo não. E há a força do pensamento e as bolachas chiquilin e umas àguas que agora se compram nas mais finas casas e fazem coisas. E desde que cheguei a Lisboa preciso comprar um soutien. Portanto lá saí.

Meti-me no carro, com os Deolinda, os Nouvelle Vague, um disco de êxitos com os pretos todos da Motown e o Jamie Cullum. Abri as janelas, liguei o volume no máximo e fui à caça. Acontece que não há soutiens sem espumas nesta terra. Não há. E assim, o dia acabou comigo a olhar fixamente para as mamas de todas as mulheres (giras) que passaram por mim. A ver se entendia a cena ou as melhorias locais.Não entendi. Mas tive vontade de esticar o dedo apontador, perfurar uma e perguntar: Desculpe lá, são verdadeiras ou têm chumaços? Preciso mesmo de um soutien.

E Lisboa? Que linda que está.

 

 

 

 

 

 

 

 



por Mónica Marques às 17:49

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