12.05.09

Há dez noites o écran do Word em branco e o livro do Steinbeck pousado aqui na mesa. Se não me tivesses morrido saberias que hoje eu tinha estado na Feira do Livro, o meu nome anunciado por uma senhora com voz treinada para o efeito. Nada como nos nossos tempos, em que a feira era maior, ou parecia maior, e mais desorganizada, sinceramente já não sei e em que eu não tinha dinheiro para comprar livros e tu tinhas e portanto me compraste na barraca dos Livros do Brasil o livro que agora aqui está à minha esquerda e me acompanha as noites danadas de melancolia que me perseguem, porque sei que o que vou escrever é sobre ti e sobre nós e talvez todos os outros que andaram à nossa volta, ainda não sei muito bem. Mas talvez seja assim sempre que se começa, um amontoado de músicas e momentos que não nos saem da cabeça. Acredita que não sei o que vou dizer. 

Deverias ter passado por lá, olhado piedosamente para mim e para a minha vontade suja de aprovação e seguido em frente,  feliz e tão rodeada das tuas crianças e do teu marido e sem qualquer  necessidade que não a da vida limpa que levavas.
 
 


por Mónica Marques às 11:57

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