3.06.09

Merda dito muitas vezes, por entre as notícias da net, dos jornais, da televisão. Merda, ou, Isto é uma merda ou, puta merda. Acabando sempre no clássico, Odeio aviões. Depois ainda há o registrar aflito e paranoico dos motivos prováveis, as paredes de gelo, paredes de gelo? os horriveis cumulus nimbus, bombas, o transpounder, o sistema do airbus A330 que afinal é computadorizado demais e alguns pilotos não gostam. Papo tudo. Também a cena das probabilidades que é como quem diz mas não assume, não vá o diabo tecê-las, Já foi, f&%$ eu não estava lá, não vá o diabo tecê-las, outra vez. Nao é gralha.  Nisto, além de fóbica, sou uma supersticiosa. Uso sempre a mesma roupa, saio de casa à mesma hora, não falo sobre merda, nos dias anteriores - nem nunca - nao pronuncio certas fatídicas palavras, passo mal se tenho que alterar passagens previamente compradas, viajo sempre na frente da cabine, até há dois anos com um cobertor em cima, uma triste figura, mas eu cagando, sem nem isso poder fazer, porque da poltrona nunca me atrevia a levantar... apavorada, obvio.

E agora esta merda. Esta puta merda, com o airbus igual, na mesma  estrada por onde acho que ando, (a gente nunca vê nada, nunca sabe nada, não controla nada dentro da merda do tubo), com os mesmos ventos inter e subtropicais, na mesma zona de convergencia equatorial ou lá o que é. Andava melhorzinha, andava. Muita, muita lavagem cerebral, explicações sobre aerodinânica, sistemas que se duplicam e bastante Rivotril. Andava calmíssima. Já não comprava à barda no free-shop (porque eram as últimas horas), já não fazia telefonemas embaraçantes antes de embarcar, a gente habitua-se a tudo. Estava a caminho da cura. Aquilo abana que se farta no Equador, mas a voz tranquila, do piloto da TAP, mais o Rivotril e o vinho que comecei a permitir-me tomar andavam a dar conta do recado. Já ia à casa de banho ( GIG-LIS 9h30), já viajava sem mala da sorte. Puta merda. Só espero que aquilo tenha rebentado lá em cima e que ninguém tenha dado conta de nada.

Puta merda, esta merda foi horrivel.

 

 



por Mónica Marques às 15:08

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