1.07.09

'As tercas costumo almocar na livraria, onde h'a uma sopa de palmito de que gosto especialmente. Mais ainda, porque ouvi que o palmito faz bem a uma quantidade enorme de mazelas, dizia na revista que era para comer "a vontade. Sou uma pessoa susceptivel, entao agora como palmito a toda a hora. Estupida, porque o palmito nao tem gosto de nada e mesmo assim continuo a come-lo como se, sem ele, o meu cancer pudesse chegar mais cedo.

Entrei, subi as escadas, sentei-me na mesa que estava livre e pedi a minha sopa. A ideia era despachar-me e quando acabasse ir comprar as minhas passagens de onibus para a FLIP. Mas comecei a sentir-me enfastiada, ou talvez nauseada, a diferenca em mim nunca 'e muito grande e as duas sensacoes surgem sempre juntas, achei que talvez nem tivesse tomado o quarto de comprimido que me regula o humor. Mas nao. Remexi-me na cadeira, cruzei e descruzei as pernas, olhei para os lados e depois em frente, e mais em frente, at'e descobrir o motivo. O homem sentado sozinho, ele e o livro dele e a garrafa de 'agua e as olheiras profundas - um leitor voraz - , 'a espera do amor, ou de amor, ou de uma boa queca, mas sem duvida, um necessitado de engate, como todos os de camisa branca e mangas arregacadas,  um pouco acima do peso, levemente macilentos e com aquele ar perdido de quem ainda nao resolveu se esta a fim de uma mulher bonita ou de uma mulher inteligente.

Os meus preconceitos impedem-me de muitas coisas, ter, muitas vezes, muita vontade de ir com homens que gostam de livros nao ''e uma delas. Entao, pelo sim pelo nao, melhor nao ir a Paraty.



por Mónica Marques às 03:04

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