15.08.09

Vi amanhecer o dia. Acordei em sobressalto, eram umas cinco da manhã e pensei olha boa, aproveito e vou escrever, daqui a pouco está uma caloraça, as crianças, o pão, o mel, os litros de café manhoso, os corn flakes, as mangas maduras ou não, O Globo, a vontade de ir para a praia, tudo isso que desconcentra. Sentei-me à frente do computador. Ainda tudo escuro lá fora (agora já é dia) e a cidade calada. Esta cidade é tudo menos calada, há muitos autocarros e demasiadas bundas, para se ter a cabeça no lugar, mas também não conheço nenhuma cidade silenciosa. Imagino que Dublin, talvez. Só imagino, que nunca lá pus os pés. Mas quem quer viver em Dublin?  Eu não, não posso, depois destes anos todos aqui já não era capaz de tão melancólico fog. 

Os autocarros  que já correm contra o post, oiço-os passar, apesar do lobby judaico - uma sinagoga, um centro cultural, eles espiados da minha janela, sentados à mesa, o Shabat - não gosto deles, nem dos muros deles. Sinto, isso sim, a tua falta. De outro modo não haveria explicação para tanto inusitado parlapié. 

 



por Mónica Marques às 10:10

Para Interromper o Amor
Transa Atlântica

Nas livrarias
O Inferno são os outros
Correio
folhassoltas@gmail.com
Chelsea Hotel
Freud explica
Technorati Profile
subscrever feeds