30.08.09

E uma manhã perfeita de Inverno no Rio é uma manhã como a de hoje. Não há muito a dizer e no entanto há um monte de coisas a dizer, era bom não ser tão preguiçosa. Há os velhinhos e suas bábás, as crianças e suas bábás e seus  pais que fazem amor, em seus apartamentos no Leblon,  porque é uma manhã linda de Domingo e eles pressentiram isso  e finalmente têm vontade e tempo. Há o mar ainda limpo e a praia sem vendedores ambulantes. Há homens interessantes com o jornal  Globo na mão e cheiro a café e mulheres magníficas e bronzeadas com seus ténis nike que vão e voltam ao Arpoador em vinte minutos. Há algumas asas delta sobrevoando o morro Dois Irmãos. Há uma manif de dez políciais civis que nunca foram corruptos. Há as meninas do vôlei, suas pernas de gazela e barriga tanquinho, há pais divorciados muito apetecíveis de bermudas osklen, olhando por trás dos óculos escuros enquanto brincam com seus filhos loiros. E com seus filhos pretos. Há peruas cheias de grana que encontram amigas. Há picolés e àgua de côco. Há as famílias antigas do Leblon que são diferentes das famílias antigas de Ipanema e das famílias antigas de Copacabana. Há as ilhas Cagarras muito mais nítidas do que no tórrido Verão e o mar mais verde à volta delas. E depois, e depois, e depois, a minha vontade de te mostrar tudo isto. Tão vaidosa. Como se tudo isto fosse meu. Como se tudo isto fosse eu.



por Mónica Marques às 22:45

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