9.12.09

A vida devia vir com um livro de instruções. Um livro assim deve haver por aí. Qualquer coisa onde se explique por exemplo, que é impossível fazer uma boa entrevista ao Caetano Veloso para televisão sem que fiquemos com vergonha do entrevistado e da entrevistadora que tenta e tenta e ele não deixa porque tem a mania que o mundo é entediante. O Caetano é o exemplo vivo daquilo que costumo dizer, nunca se deve conhecer a pessoa por trás da coisa.  As pessoas por trás da coisa são sempre piorzinhas, têm barriga, dizem banalidades que não queremos ouvir, são apaixonadas por elas próprias e estão sempre a dizer que não são. A partir de uma certa altura o Caetano apaixonou-se pelo Caetano e pelo tédio que os outros lhe provocam. Não tem nada a provar, sabe que aquele bocadinho de bom que é (ele diz que é só um bocadinho), chega e sobra aqui para a maralha. 

Eu, se Deus quiser e trabalhar e tiver sorte,  apaixonar-me-ei por mim mesma também e nunca mais vou precisar agradar a ninguém. Ser uma pedinte amorosa, uma ladra da gargalhada alheia. Hei-de fechar-me em casa a beber muito chá verde brochante, com os meus livros, os meus discos e os meus filmes e nunca mais cortar as unhas.

 

 

 

 

 



por Mónica Marques às 23:33

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