19.01.10

Há um problema que vou ter que ultrapassar para conseguir votar em Manuel Alegre para presidente. Esse problema é a  poesia. Não consigo relaxar com poetas na sala -  mesmo que estejam calados - fico sempre à espera que se levantem e comecem a declamar um soneto, ou coisa que valha.

Isto é uma coisa chata porque não cai bem dizer que não se aguenta ouvir poesia, sem ficar toda a suar e cheia de vergonha.  Mas não consigo. É mais forte do que eu. Começo logo a lembrar-me dos tempos do PREC e do meu pai de barba e pullover vermelho e  sapatos de tacão. E da cara do Léo Ferré nos discos e do medo que me fazia ele estar sempre todo desgrenhado e com ar de louco. Também nunca disse a ninguém que o Mário Viegas me fazia impressão. Cheiinha de medo do over acting dele, capaz de a qualquer minuto sair, do ecrã da televisão, para me vir dar uma estampilha. Menina oca, loira burra, burguesa, fascistóide, sem sentimentos. Então mentia, mentia, mentia e acho até que comprei, com a minha semanada, nas galerias Teteia, em Benfica, um disco do José Carlos Ary dos Santos que ouvia até me doer a ponta dos cabelos encaracolados com uma permanente inenarrável.

Ai, isto vai ser uma maçada, caro poeta.



por Mónica Marques às 09:32

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