20.01.10

 É claro que bati palmas ao fim das nove horas e cinquenta  minutos fechada no tubo, ao lado de ressonadores anónimos. Não tenho vergonha dessa coisa das palmas, é uma felicidade, tão lindo que é chegar. Chegar sã e salva e olhar cá para fora, pela janelinha do avião e certificar-me de que tudo está no lugar: as balizas na relva que separa uma pista de outra no Tom Jobim ainda estão lá, à espera de um possível jogo de futebol. Eles são loucos, são, mas venha  o calor e o ar pesado e o cheiro característico a esgoto da Baía de Guanabara, para me fazerem sentir em casa e acabar com a melancolia lusa. Mesmo se o inferno passa ao nosso lado, as favelas no vidro do carro, porque logo à frente, na curva da saída do Túnel Rebouças vem a Lagoa Rodrigo de Freitas, deslumbrante, reflectindo uma luz qualquer impossível: Deus existe.  

Como os Tupinambás,  antes dos portugueses e dos chatos dos franceses, volto a querer ser um projecto mal amanhado de “bom selvagem”. Céu azul, mar e praia. É feriado aqui e comemora-se o santo da cidade, São Sebastião do Rio de Janeiro. Estou cheia de vontade de ir  comer uma feijoada e começar, quanto antes, a falar à Roberto Leal.

 



por Mónica Marques às 15:12

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