13.02.10

 “É ruim da cabeça ou doente do pé”

 

 

 

Brasileiro rico é normalmente muito burro e metido à besta. Ama a Europa de forma tresloucada, Que friozinho gostoso! e adora beber whisky com muito gelo, Ah, o doce tilintar da burguesia, num copo alto e durante as refeições, porque não sabe. Não sabe e não quer saber. Isto, enquanto corta com muita dificuldade pedaços tenros de filet mignon à Oswaldo Aranha, aquele que é uma delícia porque leva muito alho frito em cima .

Brasileiro rico nunca na vida precisou cortar o próprio bifinho até ao níver dos quinze anos, altura em que seus pais resolvem livrar-se da bábá porque o garoto já tem bigode.  Deitam-na fora, como se costuma fazer com os Pugs que ficam velhotes e começam a chatear muito as visitas porque dão puns terríveis.   Então aproveitam a fugida do Rio, no Carnaval e  abandonam a mucama na beira da estrada, perto de São João de Meriti, um lugar horrível e muito quente, no cu do mundo. 

Não,  não estou a ser mazinha podia ser pior, porque acabaram-se-me os ansiolíticos, mas não vou ficar atrás do presidente Lula na relação maravilhosamente perversa de amor e ódio que ele nutre por este tipo de humanóides. Ainda acrescento, qual estocada final no toiro, que brasileiro rico esnoba (lê-se, isnoba. Não é lindo?) Carnaval, odeia a Sapucaí,  vulgo Sambódromo e sai a correr do Rio uma semana antes da grande suruba porque, Carnaval é coisa de índios, pretos, tarados e mijões de cerveja. E eles são todos loirinhos, de olho azul e não têm taras nenhumas. Nem as sexuais, que são as boas e dão alguma cor à vida.

Alem de burros, brasileiros montados na grana são chatos e não vão à praia com medo de ficarem pretinhos e serem confundidos com algum habitante do Vidigal.  Por isso também não têm a testosterona afectada pela exposição aos raios solares o que, afirmam os austríacos, costuma dar muita pica, mais ainda no Carnaval.

Concluindo, brasileiro rico é  muito parecido com qualquer folião português de Cabanas de Viriato. Com a diferença que brasileiro rico sai do Rio de helicóptero de manhã cedinho, ali da pista da Lagoa Rodrigo de Freitas, ou de jatinho particular, lá do aeroporto de Jacarépagua, ou no carro preto enorme e blindado com Geraldão chauffeur dirigindo para delírio da madame porque, olé!,  esse gosta muitíssimo de praia e portanto tal e tal...

E o folião de Cabanas de Viriato é do Benfica, bom chefe de família e nunca teve que mostrar que é muito macho, na Vieira Souto, a  um travesti apaixonado, da Banda de Ipanema.

Mas continuando,  sai para onde o grã-fino? Claro que não sai para ir conhecer o fantástico Corso de Cabanas, impossível, apesar de amar a Europa. E Cabanas de Viriato lá é Europa?, pensará, meio baralhado. Sai para Paraty, ou Trancoso, ou para a Fazenda São Francisco, na Bahia. Lugares lindos, paraísos que recomendo às “sisters in arms”  -  desculpem a cumplicidade, mas na morte e na doença somos irmãs – que por alguma  razão insana, resolveram atravessar o Atlântico em pleno Carnaval e vieram para cá. É que erraram feio, porque nesta altura o Rio não é para principiantes.  Dito isto e na maior cara de pau façam como os mauricinhos babacas: fujam. Fujam do Rio que o mar não vai estar para peixe.  Vai isso sim,  estar cheio de maminhas lindas e verdadeiras, pernas esculturais e cinturas anos cinquenta, aquelas cinturas hoola hoop.  Imaginam o conjunto? Todas bastante nuas? Todas à nossa volta cheias de calor e a comer feijoada sem perder a cintura violão, ou hoola hoop, ou lá o que quiserem?  Perseguindo-nos (os nossos homens perseguem-nas a elas) porque ainda por cima são uma simpatia e gostam de nós mesmo quando fechamos os olhinhos e tentamos dormir? Get the picture? Vampiras, como no filme do Neil Jordan? Muito como dizer, arquitectónicas, lindas e brilhantes e cor de chocolate com avelãs, mas do bom, para aí Cadbury ou Côte D´Or, cheias de purpurina e mais purpurina, tapa-sexos e paêtes, faço-me entender? E nós a tentar não ficar para trás, e a tentar desalmadamente sambar, porque quem não gosta de samba, bom sujeito não é, é ruim da cabeça ou doente do pé?  

E depois... E depois já é de noite e elas não se cansam e não trocam os pés e nós cansamos e trocamos e elas estão de shortinhos e nós estamos muito pindéricas e elas têm bundas, muitas bundas, montanhas de bundas, onde temos que espetar os nossos dedinhos portugueses para ver se são de verdade. E são. E depois de ver que são, ficamos muito sozinhas com os nossos rabos e os nossos testes e, claro, vamos precisar de estupefacientes que nos façam esquecer  que ainda vamos enfrentar o perigo das pernas cinquentonas da Luma de Oliveira e azar dos Távoras, a barriga tanquinho da Luana Piovani, os ombros imorais da Letícia Spiller e aquela sobrinha lolita, da Malu Mader, a Érika Mader, todas rebolando-se pelo Leblon, no Bloco do Azeitona sem Caroço, ou em Ipanema, no Simpatia é Quase Amor, porque infelizmente elas sabem sambar.

Pronto, acho que me dói a cabeça. Fiquei doente só de visualizar a cena. Um horror o Rio no Carnaval, se não gostarem de álcool não venham. Se não usarem drogas, não venham. Porque tenham a certeza de que isto não se aguenta assim: clean.  Para o ano compro o jatinho e saio do Rio. Os loiros é que sabem, burros e chatos, mas cheiínhos de inteligência emocional.  Cem vezes melhor metido à besta que masoquista.

 

crónica de hoje na revista Nós Mascarados, i. 



por Mónica Marques às 17:05

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