23.03.10

Aos que têm alguma curiosidade eu explico como escrevo um livro que é o que ando a tentar fazer, por isto este blog se tem apresentado com tanta parra e tão pouca uva. Escrevo e durmo, escrevo e durmo. Já com o outro me deu para isto. Só escrevia e dormia e ouvia música mas nunca o que as pessoas à minha volta falavam comigo. Agora não tenho ninguém à minha volta, facilita. Apura a concentração. Passo dias sem dizer uma palavra. Às vezes amigos escrevem emails, uma vez por semana convidam-me para ir ao Casino e dançar dentro do meu próprio carro - eu vou e não ganho dinheiro nenhum, mas fico a saber que fora de mim, da minha cabeça egótica há vida e principalmente que as pessoas continuam a rir. Eu também rio e depois volto para casa. Não tenho horas, mas sei que os dias andam bonitos, faço lautos jantares para mim mesma compostos de vinho branco e batatas fritas lays - gourmet. Um pacote dá para três jantares. Choro, normalmente ao fim da tarde e antes das lays, já com o outro me fartei de chorar, mas o Miguel Gullander disse-me, uma vez, que chorar era estar no bom caminho. Devo estar. Não tomo banho. Não tomar banho é essencial para me fazer sentir miserable, para taradas como eu isso é importante porque dá força. Tenho a sensação que vou ficar maluca e que as personagens me fazem mal. Mas se tudo correr bem isto acaba quando olhar para a capa do livro. É assim que vivo, é assim que penso. Contra mim. Todos os dias contra mim e contra tudo o que sou.

 

 

( os poucos que ainda lêem o blog e me conhecem sabem que este post não vai sem a música em baixo a acompanhar. Bimba, no way)



por Mónica Marques às 22:01

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