10.12.10

Uma vez quando eu tinha dezassete anos emprestei um livro a um ex namorado - tínhamos deixado de ser namorados há apenas uns dias, a coisa ainda estava fresquinha acho que ele ainda gostava de mim, um bocadinho talvez. O livro era um qualquer do Milan Kundera, não tenho a certeza se O Livro do Riso e do Esquecimento, mas acho que sim, porque é um livro próprio para os dezassete anos. Dentro do livro estava uma carta minha para uma amiga. E se há coisa que eu sempre fiz com algum esmero foi escrever cartas de amor e por isso estava tudo lá, inclusivamente, talvez considerações sobre as maminhas dela, que eram lindas de morrer. Ele leu a carta antes do livro - os meus amores são espertos - e  a seguir telefonou-me espantado a dizer que dentro do livro estava uma carta de amor para uma mulher e que a tinha lido. Fiquei fodida mas nunca me passou pela cabeça dizer as coisas miseráveis que a Oprah anda a contar na TV about her gilfriend, (estou a falar estrangeiro porque já estou irritada): Mãezinha?, irmãzinha?, amiguinha? I´m not even kind of? . Shame on you, Oprah.

Continuo a guardar cartas de amor dentro dos livros, claro.




por Mónica Marques às 15:11

Para Interromper o Amor
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