26.01.11

Salvo raras excepções - que cabem todas nos dedos da minha mão esquerda, que é a mais pequenina das duas, mas também a mais bonitinha - nunca tive Inveja do Pénis, uma ideia que entrou na minha vida à força, uma vez, numa sessão macaca no consultório do Dr. Ziegger. Irritei-me tanto com aquilo (o pénis e a inveja) que lhe disse:  Isso que me está a tentar dizer não passa de uma falácia mediático-machista, de um judeu louco. É... Ao contrário de outras ocasiões mais oficiais, eu uso palavras quando estou toda mal deitada no consultório do meu brasileiro, seguidorzinho de meia tigela do tarado do Freud. Consigo até ter raciocínios com princípio meio e fim...Mas não tenho. Não tenho mesmo essa inveja do pénis, que depois vim estudar para casa. Acontece que ele achou que eu tinha, porque estando nós naquilo e eu irritadiça com o rumo  da conversa, levantei-me,  sentei-me na beirada do sofá e olhando-o nos olhos disse imperativoenervada, Pare de coçar o saco! Você já reparou que está sempre a coçar o saco e que isso me desconcentra?

Vem isto a propósito de outro assunto que não são pénis, mas pilas. E é disso que preciso falar para pôr o meu dia para funcionar bem. Está um dia lindo lá fora, tenho assuntos de banco para tratar, material escolar para comprar, uma cachorra de quatro meses para levar à rua, de duas em duas horas e ainda apanhar-lhe os cócós, dois adolescentes em casa há sessenta dias a comerem bolachas e a beberem Coca Zero e o meu corpo sardento e sarado de mulher quarentona para levantar da cama. Tudo sem querer ouvir falar de pilas, pilinhas,  pilotas, paus,  tubos, Augustos, treinadores de campo e de bancada e outros nomes. Mas, como se sabe, menos é mais. Portanto de pilas, por agora, só quero a do Mineiro, o meu trolha e mesmo essa só à distância e por interesse, porque me ajuda na obra que tem que acabar rápido.

Eu era muito ciumenta em pequenina. A única altura na minha vida em que ficava mal se alguém tinha uma pila maior que a minha. Nesses momentos ficava muito competitiva e era até capaz de discutir sobre se o tubarão que eu tinha em casa, escondido no armário da cozinha, era mais mau e maior que o do outro parvo, de quem eu estava a ter um ataque de ciúmes. Agora já não. Agora já não. Mas o meu pai, o meu pai é polícia. E é melhor que o teu.



por Mónica Marques às 11:35

6 comentários:
De May a 26.01.11 às 15:29
Imperativoenervada foi até agora o melhor do dia!


De Sara a 27.01.11 às 18:14
Muitos parabéns pelo destaque :)


De Luis Moreira a 28.01.11 às 01:22
Eu também em temos de comprimentos nunca discuti com ninguem. A única vez que estava a tentar dizer a uma holandeza (nos idos tempos em que o Algerve era um paraíso) que coisa e tal , recebi como resposta: pois, olha, a melhor escrita que me fizeram foi com um lápis pequenino! A partir daó dediquei-me a melhorar a escrita.


De libel a 28.01.11 às 16:55
Ahahhah...adorei a forma de escrita, viva e cheia de carisma...Parabéns pelo destaque!!...
Sobre pilas, ou pénis...eu ainda acho que o tamanho importa..loll...não se trata de inveja, mas de insatisfação...(bem que podia ser um niquinho maior...)

Mónica, gostei principalmente do post sobre Carlos Castro!!...depois virei para ler outros...


De margarete a 31.01.11 às 09:47
quero lá saber, o meu é o mais forte!
e o mais maior.


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uma caixinha de comentários! há quanto tempo estavam aqui as caixinhas de comentários sossegadinhas, sem dizer nada? as manhosas.


muito bom, Mónica
grande grande gozo que me deu ler este texto


De Isa a 2.02.11 às 20:56
http://mariailoveyourtitties.tumblr.com/


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