8.02.11

Eu e mais 43 velhinhas fomos ontem ver o Black Swan às duas da tarde, ao cinema Leblon. Deviam estar uns quarenta graus quando cheguei à porta do cinema, onde uma fila se formava para comprar os ingressos. Pensei imediatamente que poderia ser uma excursão de bailarinas aposentadas, todas vivendo contentes no lar da Casa dos Artistas do Rio, um lugar para onde vão velhinhos sortudos. Os outros ficam em casa com babás sádicas que lhes devem pôr coisos no leite para os verem trepar paredes e andam com eles pelas ruas num passo rápido demais para ver se os coitados tropeçam e morrem. Lá chegarei, mas que seja aqui, no Rio. E afinal as velhinhas não eram todas amigas, nem moravam juntas no lar, nem nada disso.  Não interessa. A sala é enorme e o ar condicionado funciona na perfeição, sentei-me no N19, uma coxia, apagaram-se as luzes e a Natalie Portman... A Natalie Portman vai ganhar o Oscar e vai muito bem - mas no Blueberry Nights está mais bonita e tem um carro descapotável - aqui está louca de pedra, impecável na neurose com que busca a técnica e o sentimento na dança: uma perfeição que não a deixa viver ou sair de uma vida de merda e da casa de uma mãe dez vezes pior  do que a Mia Farrow deve ser para os dez filhos adoptados.

Eu e as 43 velhinhas lá a vimos vomitar-se, arranhar-se, masturbar-se e ter fantasias sexuais lesbianas -  a Natalie Portman e a Mila Kunis não brincam em serviço - em ecrã muito gigante e tudo muito bem feito. Eu e as 43 velhinhas ali fechadas. Todas, todas sem respirar.



por Mónica Marques às 12:13

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