9.03.11

Quando fomos viajar eu estava a ler três livros. Sempre me habituei a ler livros ao mesmo tempo. Para mim três é bom. Mas só levei o de auto-ajuda porque estava na total merda e aquilo era bom. Há anos que não sublinhava livros, mas a necessidade faz o ladrão e deixei-me de pudores. Imensas frases que ela depois quis ler, mais ou menos curiosa das minhas coisas no dia em que nos preparámos para ir à festa.

Vestimo-nos no mesmo quarto -  aliás há três dias que dormíamos no mesmo quarto, lado a lado, naquelas camas de gavetão dos adolescentes, eu em baixo, ela em cima - e quando saí do banho avisei-a, com a vergonha delicada das pessoas que se conhecem mal, Hoje vou de menina. E ela respondeu, Então eu vou de puta. E virou-se de costas para mim para se vestir. Quando acabou - a coisa durou aí uns cinco minutos de costas lindas na minha frente - voltou-se e estava tão sexy que continuei a  fingir que lia o livro de auto-ajuda, até que o silêncio no quarto me pareceu coisa de filme francês a ser evitado a todo o custo. Acho que ia dizer uma barbaridade qualquer do fundo da minha cama-gavetão, quando a puta mais gira da minha vida se chegou a mim, me pôs um dedo nos lábios, filme francês, filme francês pornô e um Love na boca. E me prometeu baixinho, baixinho, com a cara encostada à minha: Vais-te sentir como se tivesses ganho a loteria.




por Mónica Marques às 22:04

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