12.04.11

Sim, para voltar a viver depois de um coração partido têm que desamigar o sujeito(a) que vos partiu o coração. A máquina trituradora do amor, o docinho, a coisinha, a pumpkin, a cotovia, o zégão. O facto de uma máquina trituradora do amor continuar a viver, a conviver, a ouvir músicas - mesmo que não sejam as nossas - a rir, a rir alto, meu deus, a rir alarvemente, a dizer que tem fome, que tem sono, que tem insónias, que precisa de chocolate, de coca zero, de vinho, uvas e bolos, que quer ir beber caipirinhas, que tem uma vontade louca de dançar - e ainda não conseguimos esquecer a maneira como a pessoa dançava, nem como respirava, nem como nos pedia para não ficarmos a olhar para uma parte qualquer do corpo, nem como comia, nem como, nem como nada, nem como tudo... Todas essas vontades podem bem levar-nos à loucura, pior ainda, a detestar a pessoa que antes adorávamos porque não é a nós que o nosso coraçãozinho agora diz as coisinhas todas. Portanto, como não há coisa mais triste que um amor acabado e isso e o luto fazem parte dos fins e é impossível fazer um luto de jeito quando uma super-spider continua a viver e a rir alto das piadolas parvalhonas dos outros - tudo na tela do nosso computador - o melhor é desamigar e nunca, nunca mais lá voltar, nem que seja um cagalhonésimo de micronésimo de segundo só para ir espreitar.

Alive&Kicking? Boa. Eu ia morrer de vertigens.



por Mónica Marques às 19:30

Para Interromper o Amor
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