13.04.11

O primeiro beijo na boca que lembro, sem ser daqueles a brincar aos médicos, foi o Miguel quem me deu, à porta da Escola Preparatória Pedro de Santarém, porque eu tinha tido insuficiente na prova de Estudos Sociais. Eram umas seis da tarde e já era de noite, portanto devia ser Inverno. Eu adorava o Miguel, que tinha uma pinta na cara, mas um dia fui a uma festa e começou-se a dançar slows às escuras e era aquela música do Christopher Cross, que ainda hoje me deixa desvairada de amor, o Arthurs Theme. Eu adorava o Miguel e dei beijos ao Afonso, não sei que me deu, nem pode ter sido só da música. Os beijos foram bons, mas não valeram ter perdido o Miguel, como perdi tive então outro namorado. Era filho do Polícia da Esquadra de Benfica e beijava tão bem, o Paulo Alexandre. Enquanto namorava o Paulo Alexandre, também me lembro dos beijos da Catarina e da Susana. Mas as primeiras mulheres que beijei foram a Mónica e a minha prima Fedra. Gostei. Era muito bom e era como se fossem treinos para dar beijos aos rapazes.

Gostava de ter beijado o Vasco na altura em que ele usava um aparelho, mas não beijei. Beijei o António, atrás de um sofá, a ouvir Supertramp. Beijei o Zé, ao colo dele, enquanto ele me mexia nas maminhas, por baixo da blusa e eu deixei. Gostei imenso, tanto que casei com ele. Beijei a M. e apaixonei-me pela M.

Depois beijei mais duas pessoas que me beijaram muito bem, tão bem que morri de amor. Essas são as pessoas que ainda não posso nomear. Como os historiadores, no caso dos beijos e dos sentimentos que eles despertaram em quem adora beijar, é bom esperar um tempo para se poder escrever história. Obrigada a todos pelos momentos de puro prazer, pelo amor.



por Mónica Marques às 18:24

Para Interromper o Amor
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