22.03.07
"A miséria não é boa conselheira, sabemos todos, mas, pelo visto, tampouco o é a vida de privilégios do poder. Imaginar que uma esmola entre R$15 e R$90 mensais pode tirar um menor (de 1m80) do crime é não ter a mais pálida noção da vida aqui fora; e é ter o mesmo incompreensível preconceito contra a pobreza manifestado pelo presidente Lula quando diz que o crime, ás vezes, "é questão de sobrevivência."

(...)Ora, a pobreza, em si, não leva ninguém ao crime - ou não, pelo menos, ao tipo de crime que nos tem horrorizado. Ninguém arrasta uma criança por sete quilômetros premido pela pobreza, ninguém mata friamente por pobreza, por pobreza ninguém toca fogo em ônibus cheio de passageiros.

Pelo contrário. Há proporcionalmente muito mais gente digna e honesta nas comunidades carentes do que no Congresso Nacional, na Assembléia Legislativa ou nos palácios de Brasília.(...)De qualquer forma, a absurda proposta da Bolsa Bandido revela total inversão de valores que se estabeleceu neste país, onde os criminosos recebem mais atenção, recursos e conforto das autoridades do que as vítimas(...)

Cora Rónai, no Segundo Caderno do Globo, hoje.

por Mónica Marques às 11:22

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