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Agosto 26, 2009
Abriste-me a porta do carro? Não me lembro, nem sei porque isso se tornou tão importante agora, mas o sol batia fortíssimo no capot do teu carro e reflectia nos meus óculos Ray-Ban. Um dia daqueles, em Lisboa. O dono do restaurante achou que eu tinha comido pouco, eu também acho que comi pouco, bem vistas as coisas fui bastante perdulária porque o bacalhau À Braz estava perfeito e eu já devia saber que depois, aqui, ia morrer de saudades. Uma das coisas boas que vêm com a idade deve ser essa capacidade de viver muito intensamente alguns momentos e de se deixar perder neles. E aquele era o nosso momento e eu fiz tudo para que aquele não fosse o nosso momento, precisamente porque não consigo perder-me. O médico chama a isto um nome qualquer triste, que agora não recordo, porque estou a ouvir aquela música e a ver-te olhar para mim e não quero que coisas técnicas venham estragar a minha memória de nós.
