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um blog da diáspora blasée

no lugar do morto

Outubro 29, 2008

Era ao lado de Vergara. Definitivamente, era ao lado de P. Vergara que Max queria estar. E estava. Ali mesmo, sentada naquele BMW conversível cem mil quilómetros, que ele tinha ido comprar num lugar qualquer longe, longe, daqueles que só ele inventava.
Olhou em frente e viu as curvas e os sobreiros e ouviu muito bem a música que tocava no toca-fitas. Era ao lado dele. E estava ao lado dele e mais uma vez olhou em frente e sentiu-se feliz e porque se sentiu feliz, colocou a mão dela em cima da perna dele, que se distendia enquanto as mudanças iam sendo postas e não quis que aquele momento acabasse, ou que a casa para onde ele a levava chegasse, porque era um daqueles momentos perfeitos em que o cheiro, a música, as mãos, os cabelos, a cor da pele, as roupas e os cigarros se encarregavam de a fazer pensar que o passado não existia e o futuro também não.

a capa do meu vestido (very sentimental)

Outubro 28, 2008

Saio da loja com o vestido dentro da capa azul, Slow Motion Bossa Nova. O Zieger ainda a matraquear-me o juízo, enjoy the moment, encerre essa culpa e até a coitada da Maria Madalena. Vou-me dar esse prazer, penso. E o sol do fim da tarde nos meus óculos escuros e as compras dos entregadores na portaria e o Seu Naelson à minha espera com o carrinho na mão. Pessoas na minha cabeça, enquanto arrumo os pacotes de leite semi-desnatado, as cebolas, o horrivel concentrado de maracujá, fala sério, pessoas que mal conheço e que generosamente me mandaram emails ou de olhos fechados - que ainda não sabem o que está lá dentro - postaram a capa do Transa Atlântica nos blogs que eu gosto tanto.
Beijos a todos. A ver se nos encontramos aí.

Think I'm gonna get me some happy

Outubro 21, 2008


O livro é sobre o amor a uma cidade e uma ficção sobre mulheres de quarenta anos mais ou menos enlouquecidas. É sobre uma mulher que gosta muito do Philip Roth e do Miguel Esteves Cardoso e adora as novelas do Gilberto Braga e caminhar ao lado do Chico Buarque, no calçadão do Leblon. Uma mulher que não troca o Rio de Janeiro e o amor difícil de todos os dias por uma paixão brutal. Mas que fica a pensar nisso. Uma mulher muito parva e muito analisada também. Tanto que chega a dar a volta. Tem muito Freud, tem búzios, tem sexo, tem a dificuldade de escrever sobre isso e ficar sozinha. E voltar a escrever. Até descobrir que não há nada de novo para dizer. Só sentar à frente do computador e deixar o sangue correr. Na America chamam-lhe fist-writing . Mas os americanos inventam muito.
Visitar o fundo do poço, ah então é isto, e sair de lá à bruta. Muita conversa sobre livros muita síndrome de Zuckerman e um editor a quem o Harold Bloom chamaria um Anjo-Caído. É sobre viver entre o Rio e Lisboa. E poder gostar de duas cidades ao mesmo tempo. Como de dois homens. Ou, se quiserem, é um livro sobre patinação no gelo.
(Segundo o meu editor, estará nas livrarias na segunda quinzena de Novembro. E sim, tenho dormido com o livro em baixo da almofada.)

Original CHIC mix

Outubro 18, 2008



Este blog deve o novo look fantástico e um grande upgrade no ego, à Sofia Barbosa, ao Pedro Vieira, ao dr. Zieger, para sempre guardado longe da net no consultório da Rua Farani e a doses maciças de Diana Ross desde a mais tenra idade. Aos quatro, obrigada.

Y.M.C.A.

Outubro 16, 2008

Há uns anos atrás um amigo meu ficou muito tempo apaixonado por uma mulher que conhecera do nada e que já vinha com um copo na mão, numa festa onde também estariam presentes a mulher dele e o marido dela. Ambos (amigo e caso) teriam baixado a guarda e deixaram que a loucura os visitasse por algumas horas. Mais ou menos o tempo em que decorreu o cocktail, mas enfim. Então como duas crianças acabaram saindo dali achando que o facto de terem, quase às escondidas e de forma completamente atropelada - ele afirma que ela tremeu ao escrever o nro. dele - anotado os telefones um do outro, não anunciava nenhuma desgraça. Desculpem o paternalismo com que conto a história, mas é que nem tocaria nela, de tão açucarada e efe-ó-dê-i-dê-á, não fosse pelo final que me interessou, porque me restituiu o amigo com uma simples melodia, dos horriveis abismos da paixão.
Claro que a coisa foi uma desgraça, um amontoado de delírios juvenis, e diz ele - hoje - que da parte dela uma cabal demonstração da infantilidade de certas mulheres, ao que eu, nas habituais conversas sobre o assunto, acrescento quase sempre muito nojentinha e enciumada, Parece que não sabes que todas as escritorazinhas são umas criançolas imbecis. Mesmo as que nada acrescentam à literatura, como era o caso do teu caso.
Os amigos permitem-se estas coisas e lá fomos aguentando a situação dele à custa de muito Skype, (ele ainda mora em Nova Iorque) e diga-se, boa vontade minha e da minha entidade patronal.
Em frente e a saber, ela tornou-se mesmo uma escritora, foi viver com o marido para uma quintarola na Inglaterra e vende que se farta exatamente porque escreve sobre, deixem-me ser ainda mais nojenta (o meu amigo não lê blogs) a alma feminina.
O meu amigo acabou por conseguir fazer o luto, mas ficou uns dois anos sem poder ler suplementos literários de qualquer espécie, (o que lhe fez um bem danado), falando mal da globalização e da democratização da leitura e da internet, não fosse ela aparecer ordenhando vacas, ao lado do maridinho, na quintarola perto de Londres.
Até que felizmente, em Abril deste ano, tivemos a seguinte conversa. Passo a contar, saltando por cima dos olás e de efabulações sobre a boniteza do Barack Obama:
Ele
Ela apareceu-me hoje de manhã.
Eu
Tás a gozar? Ela está aí?
Ele
Não parva. Ela apareceu na net.
Eu
Eu achava que ainda não lias suplementos literários.
Ele
Foda-se.
Eu
Mas estás bem?
Ele
Estou.
Eu
Gostaste de ver a fantasminha.
Ele
Prefiro não ver.
Eu
Sentiste o quê?
Ele
Que nunca tinha dormido com ela.
Eu
Zerámos, então.
Ele
Quase. Consegui achar que estava mais gorda.
Eu
E dizia disparates?
Ele
Sim. Contratou uma Mãe de Santo que estava ilegal em Londres e não dá um passo sem lhe perguntar.
Eu
Tiveste vergonha.
Ele
Não. Já não.
Eu
Sempre te disse que ela não era para ti.
Ele
Eu sei. Uma vez numa festa, dançou o Y.M.C.A. com o marido, com aquela coreografia de enrolar as mãozinhas e tudo.
Eu
Vou aí em Dezembro.

«Ninguém se chama Sara Jéssica»

Outubro 14, 2008

SARA JÉSSICA TINHA FICADO MUITO TRISTE e ainda não tinha deixado de pensar naquilo que Guto lhe tinha dito. Estava difícil esquecer o timbre da sua voz ecoando atrás dela, na escada de serviço do prédio. A escada por onde ela tinha subido abraçada ao desgraçado na noite anterior, depois de muita conversa, muita dança e algumas garrafas de ice vodka. Sara Jéssica não gostava de beber e aquela tinha sido a melhor invenção para quem, como ela, preferia sempre a Coca Cola Zero. Mas acontece que a lucidez da Coca Cola Zero na night era uma coisa muito brochante e os homens riam daquilo e depois fugiam, sem muita paciência para a indecisão que tal bebida dava nas mulheres.
Guto era lindo e um bocado bruto. Como todos os lindos. Filho único queria logo tudo. E muito, muito tudo e não estava nem aí para problemas de gatas existenciais.
Sara Jéssica não era existencialista, mas para Guto andava lá perto, porque ela lhe pedira um livro de presente de dia dos namorados. E na casa de Guto só havia dois livros na estante, uma Biblia e outro que nunca tinha tido vontade de conhecer. E por isso comprou o livro com maior número de páginas que encontrou na livraria e combinou ir encontrar com ela no Beco das Sardinhas para aproveitar a sexta feira, tomar todas e depois irem para casa dele namorar muito.
Como Guto lhe tinha dado um presente daquele tamanho achou que Sara Jéssica nunca lhe iria dizer não, se depois de transarem de todas as maneiras, ele lhe pedisse uma outra coisinha. Mas havia coisas que nem uma existencialista se permitia, mesmo sob efeito da vodka e da enorme biografia do Paulo Coelho. E então, no comecinho da manhã, Guto muito bonito ainda um pouco tonto e deveras malvado conduziu-a à porta de serviço e disse, Desapareça daqui, sua vagabundinha leitora de Paulo Coelho. E olha fala pra sua mãe que ninguém se chama Sara Jéssica, ah, ah, ah, ah, ah...
(para a Sofia B. em insónia delirante)

M.M.

Outubro 10, 2008


CHOVE SEM PARAR NO RIO HÁ CERCA DE TRÊS SEMANAS. Logo não há muito o que fazer. Os cariocas andam sorumbáticos. Mas eu hoje acordei assim, uma trademark Bomba. Também com aquele Nobel da Literatura, queriam o quê? Nada. Daí desse lado não dá para querer nada. Quem manda aqui sou eu. Música de fundo: esta.

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