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um blog da diáspora blasée

voulez vous

Fevereiro 27, 2009

ah ah ah ah ah. Estava ali na cozinha a lavar pratos com vontade de voltar a ler o Boris Vian. Achei interessante porque era uma vontade igual aquela que sinto quando tenho saudades de comer alguma coisa que não encontro. Sardinhas, por exemplo. Era uma coisa menos intelectual que física. Lindo. E que falta de vergonha escrever isto. O livro que me apeteceu não era o L`Arrache- Coeur. Era aquele outro das publicações D. Quixote. Não me lembro. Mas era aquele no deserto.

Ter um filho que de repente calça o 40,  viver muito longe de onde estão os amigos, as comidas, as ruas, os rios, as planícies, os sobreiros, as laranjeiras e o vento, ajuda.  Ajuda a toda esta maluquice. Tão esquisito como quando temos que deitar o resto da feijoada pela retrete para não entupir a pia da cozinha. Também nunca digo pia.  É que estava na cozinha a lavar a loiça. No Ipod deu ABBA e logo depois Mariza e Depeche Mode. Um nojo,  diz quem sabe.

O Carnaval

Fevereiro 25, 2009

No entanto eu até já desfilei no Sambódromo um bocado à frente da Velha Guarda da Portela  vestida de aquário, de relógio, de alterofilista, de pierrot e já pulei no Azeitona sem Caroço, No Simpatia é Quase Amor e ao lado das drag queens fantásticas e estilosas da Banda de Ipanema. Aí até caí no chão e foi de total felicidade e por causa de umas batidinhas de maracujá e por me estar a ser oferecido viver um Carnaval longe de Ovar ou de Torres. Lembro-me que enquanto me tentavam retirar da sarjeta - caí ao lado de uma sarjeta - eu ria e ria e dizia chamem os fulanos da RTPi que estão aí na frente para me entrevistarem,  ah ah ah, uma portuguesa tão longe de casa, no meio da folia, trying to samba ao lado de esculturais travestis. Claro que ninguém chamou. E a Ivani Flora ía lá querer saber de mim, sempre tão vestida ela, tão aprumada no centro do Rio fazendo a mesma reportagem, pelo menos há sete anos, directamente do Bloco do Cordão da Bola Preta. A esse nunca fui. Mas não sou de maldizer. Cada um é feliz como quer e a época a isso obriga.

 

Então temo (nunca uso esta palavra) que tenhamos chegado ao busílis da questão, a felicidade. Ou como gosto de lhe chamar quando estou em privado com Ela, a porcaria da felicidade. 

A porcaria da felicidade era a última coisa que me apetecia estes dias o que até pode parecer um contrasenso para uma viciada em diga sins, mas a coerencia nunca passou por aqui. E a liberdade também não, apesar do disco. Restava-me só uma coisa, fechar-me em casa e ignorar o resto Rio de Janeiro e as peguntas em jeito de condenação da minha filha totalmente aculturada, Mas mãe como você não gosta de Carnaval? E tendo cagado para os amigos bastante endemonizados e os outros palermas foliões, foram as perguntas dela durante estes dias que me chatearam. Porque me lembravam do meu grau de frigidez carnavalesca. Convenhamos eu não estava em Ovar, eu não estava em Torres, eu não estava na Madeira. Eu estava, ainda estou porque sobrevivi no RIO DE JANEIRO e não pular o carnaval no Rio além de fazer de nós uns doentes mentais ainda traz uma culpa danada.

 

No Sábado, bem cedo, para fugir dos favelados, dos maconheiros, dos embriagadose dos farofeiros tentei ir à praia. Antes cruzei-me com o RF. Deviamos ser os únicos acordados em todo o Leblon. Dei-lhe um olá com a cabeça, ele respondeu do outro lado da passadeira com um piscar de olhos e ficou a olhar algum tempo para mim o que me animou e mais uma vez ponderei pedir-lhe a entrevista e mais uma vez não fui capaz. Da próxima não passa.

A praia estava impossível (e assim ficou até hoje que já lá fui ver) o mar mais cheio de merda que a Praia da Fonte da Telha. Não vou falar da populaça e das tendas que montaram com as velhas lá em baixo e da gordura que alastra como um C. os desafortunados desta terra.

Vim para casa sem pagar a cadeira - um protesto - ao fim de 30 minutos a torrar ao sol e uma tentativa frustrada de entrar no mar. Uma porcaria.

 

No Domingo tive um churrasco na cobertura de uns queridos amigos. No churrasco também estavam argentinos. Houve aquela rixa de sempre entre eles sobre quem assa melhor a picanha. Ambos são bons. Comi e fumei. E tive de ouvir 457 vezes o samba enredo da Portela, este ano cheio de palavas difíceis de cantar como miscigenação.

De volta a casa as ruas já só cheiravam a chichi e havia bêbados no chão. Como também já não estava muito bem, fui dormir.

 

Na segunda acordei com uma virose. Lembrei-me da minha mãe e do meu pai com uns lençóis bancos em cima, fantasiados de fantasmas, a sair para um assalto, virei-me para o lado e adormeci outra vez. Só abri os olhos para ler umas coisas sobre a Lee Miller, que uma amiga interessada em fazer de mim uma pessoa melhor me tinha mandado, e ver um you tube do Caetano e outro do Chico. Devem ter passado uns três blocos a gritar  (cantar?) Olha a cabeleira do zézé, sera que ele é? será que ele é? Bichaaaaaa.

No fim do dia fui à Travessa - os livreiros também estavam fantasiados, ups, mas há lá um muito giro - e comprei, Na Praia de Ian Mcewan, para ver se começo a escrever melhor e interromper um pouco a leitura de, Os Detetives Selvagens de Roberto Bolaño. O romance mais esquisito que já li.

Para voltar tive que fugir de mais uns blocos e quase atropelei um adolescente que fez um mortal à frente do meu carro.

Ontem dormi o dia inteiro, tive 37,5 de febre e mesmo que não tivesse tido, planeava já aquecer o termómetro no candeeiro da mesinha de cabeceira.  Finalmente uma desculpa de jeito para não ir pular o Carnaval. Dizem que estar só fortalece e eu até sei quem diz, mas estou mais preocupada agora com a porcaria da felicidade. Já a formiga tem catarro.

 

Esmolas

Fevereiro 20, 2009

Ele

 

Dá-me um beijo.

 

Ela

 

Não dou.

 

Ele

 

Mas porquê?

 

Ela

 

Porque não. Sabes aquela bosta da teoria do Marx?

 

Ele

 

Qual teoria do Marx?

 

Ela

 

Aquela da Revolução. Dar esmola a um pobre atrasa cem anos a Revolução.

 

Ele

 

Mas tu estás louca?

 

Ela

 

Não e não vou dar nenhum beijo,  depois ficas todo contentinho e não fazes nada.

 

Ele

 

Sim, mas para fazer a Revolução preciso saber primeiro e tal.

 

Ela

 

Saber? ah ah ah ah ah.

 

 

 

O Leitor

Fevereiro 12, 2009

'E que Dona Juju foi ao cinema ontem e saiu da sala com os olhos que pareciam duas batatas. Ao coronel disse que  as lentes de contacto se lhe tinham deslocado dos olhos por causa do excesso de frio na sala, Ai gente esses caras botam o ar tao forte e tal.

Com uma mentira tao descabelada Antonio Bento agarrou-a pelo braco e disse, Juju 'tou ficando de saco cheio de suas desculpas. Qual 'e o problema de chorar, esse teu analista anda te deixando trifasica. Preferia quando voce so era bipolar e gostava de tomar aquele Sake com particulas de ouro, lembra? Lembro Antonio Bento, lembro sim. Da proxima vez vamos ao teatro que agora so tem peca pra rir, porque nao me levou ao teatro? Porque nao, Juju, porque voce sabe que eu gosto de filme sobre o Holocausto. Porque nao me oferece flores, nem aneis, porque nunca mais leu pra mim Antonio Bento? Que saco fica calada Juju,  voce so ta arranjando motivo pra nao transar comigo logo mais ..

Pra quem voce anda lendo, Antonio Bento?

 

 

 

 

 

Juju é MILF

Fevereiro 09, 2009

Em que pensa  Dona Juju enquanto apanha do chão as meias azuis e as cuecas samba-canção de seu esposo, Coronel Antônio Bento, recentemente aposentado e um peso pesado aquela e a todas as horas ainda em casa.

Dona Juju pensa em filmes japoneses mudos, nas canções de machucar da Sylvinha Telles, no filme The Fountainhead do King Vidor, com o Gary Cooper e a Patrícia Neal.

Dona Juju é uma mulher cheia de encantos secretos. De tarde, depois do café com leite do Coronel, ainda  dará uma fugida de casa para ir na livraria comprar o livro de Roberto Bolano. Aquele que nas palavras do seu amor: dá vontade de dormir com muita gente.

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