8.02.10

Às vezes fumo um piriri. Gosto de fumar piriris. Penso sempre no meu pai e sinto-me culpada quando fumo um piriri. Nunca fumei sozinha, mas talvez chegue lá um dia, no deserto, para me esquecer que estou no deserto - e a gostar - ou na Irlanda, rodeada de pastos e vacas. Adoro aquela sensação de que tudo é bom e possível depois do primeiro trago no piriri. Sou daquelas que diz para riso dos amigos: Isto não está a bater nada. Uma vez, em Amesterdão, fiquei toda a noite a fazer amor e outras porcarias, com sensações extraterrestres e com ataques sucessivos de riso, por causa de um piriri maravilhoso. Piriris dão fome boa. Piriris dão vontade. Piriris fazem rir muito e afastam o olho grande que é uma coisa diferente do mau olhado. Com piriris fica mais fácil dançar como uma marioneta - abanando o corpo e a cabeça descontroladamente - e achar que estamos a ser bué sedutores. Piriris são bons para falar e ir lá atrás buscar coisas boas. Há um movimento que defende às claras, que os consumidores plantem os seus próprios piriris para se acabar com o tráfico. Há um movimento que deseja secretamente que a Lara Li volte a cantar. Sou dos dois e acho muito bem. Ler aqui.

 

 



por Mónica Marques às 17:32

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